domingo, 22 de agosto de 2010

O frio de mim

"O que me levou a escrever este texto foram alguns choramingos que tive em meus ombros. Amigos, que choraram a perda de um amor ou outros que foram vítimas de um término repentino de relacionamento. Por serem meus amigos, também fiquei triste por vê-los lamentar enquanto sofriam a ausência de seus seres amados e sempre estive pronto para ouví-los e até chorar junto. A dor de um amor que não corresponde é única e nenhuma é igual a outra"

Seus olhos estavam fechados. Embora ainda vissem suas vísceras brancas e a coloração apática do seu olhar, eles estavam crus, como sua alma estava cru e sua pele e o seu caminhar. Ele não via nada. O inverno em seu fim, o sol já anunciava a renascença, ainda faltando alguns dias para a primavera. Ora ou outra, refletia sobre as coisas que já havia conquistado com seu pequeno planejamento, mas se esquecia de tudo quando a lembrança do motivo daquela tristeza retornava à sua mente.
Sim, o sol voltou para mostrar que o frio não era mais ali, mas ele não o via. Não sentia o sol, não via as pessoas e se infiltrava cada vez mais no íntimo frio que sem perceber cultivou durante tanto tempo, confundindo com uma esperança de felicidade alheia. Havia depositado em um outro alguém, grande parte de suas horas e de dentes amarelos. O cheiro do corpo ainda, o risco da face era nítido e tudo parou assim. Seu tempo estagnou-se e nem sabia explicar por que mesmo com tanta ausência, não conseguia chorar.
Não tinha família, nem mãe, nem pai nem raio algum, tinha o oposto e não queria tê-lo somente. Já o teve tempo suficiente para querer outro alguém. Queria ter consigo quem já não mais queria tê-lo com os mesmos afetos de anos passados. Desejou voltar, desejou morrer e ao mesmo tempo desejou viver para provar que ainda é possível.
Viu a dor passar em outros parâmetros, em outras formas e em outras pessoas, mas essa dor, exclusivamente essa dor era dele e intimamente ela doía e doía mais do que todas as outras, do que em todos os outros. Era sua, de uma forma gradativa. Havia quem imaginasse sua dor ao não possuir mais a pele branca e as camisetas verdes perto de si. Ouve também quem o via e sabia qual a intensidade desse sofrimento.
A casa nunca esteve tão grande, os amigos distantes e ninguém o entendia, mesmo explicando e chorando em minutos exatamente iguais. Os sorrisos alheios o irritavam e mesmo ao lembrar de momentos felizes pessoais, irritava-se com facilidade por não enxergar atrás das flores que um dia também sorriu e acreditou.
Haviam flores, mas ele também não as via. E entre as flores havia pássaros que mesmo sem notá-los era possível ouvir o seu canto e saber que eles estavam ali, cantando. Havia o canto, mas não ouvia, o canto de nenhum outro. Era uma imagem parada em sua vista, que nem mesmo ele sabia como fugir. Virava o nariz, o tronco e parte do seu corpo e o frio continuava congelando sua antecedente primavera.
Olhos alheios assistiam essa dor construída inocentemente e lembravam dos vários sentimentos que também, um dia, o desnortearam durante grandes primaveras e sabia que pouco podia fazer, pois os olhos brancos não enxergavam os alheios. Nem quem pudesse dar objetos para serem quebrados, nem quem pudesse tentar convencer o dono da imagem estática a se fixar nele novamente, nem quem pudesse pedir aos céus para que isso tudo tivesse um fim instantâneo, nem ninguém podia ausentar esse silêncio íngreme.
Era das músicas, das epígrafes e dos sonhos que o acordavam durante a noite e não era mais de si, estava entregue, solto e manipulado por um desconhecido rumo que perseguia e levava seu ser ao impetuoso e gélido inverno da alma. As feridas mais intensas eram abertas com pequenas palavras.

domingo, 8 de agosto de 2010

O menino e a rua

O menino corria pela rua. Seus olhos integravam-se ao azul do céu que cobria sua cuca quente. Seus pés mais pareciam cascos no áspero chão que pisava.
Passou pela banca de jornais, pelo poste de luz e pelo beco esburacado. O homem da banca seguiu-o com os olhos até cruzar a esquina. Um pouco antes, frente à loja de discos, o asfalto mudava seu ladrilho. O chão tinha duas cores e o piso amenizava a estranheza daquela rua cinzenta.
Ao cruzar a rua, a luz do sol lhe penetrou os olhos. O menino baixou a cabeça e novamente a levantou. A bermuda rasgada pelos bolsos e as costelas a mostra acima do umbigo raso. A sujeira era visível entre as cores bordadas no trapo da cintura. Levava em uma das mãos uma pequena gaiola de ferro que batia ora nas batatas magras ora no joelho.
Seus passos eram firmes e o olhar não desviava o horizonte. As pessoas viam aquele pequeno pássaro correndo descalço em busca de algo precioso. Sua imagem aparecia entre as pessoas que andavam pela avenida.
Passou pela rua principal, pelos carros parados e pelo senhor que conserta guarda-chuvas. Sua imagem logo ao aparecer, sumiu entre as grades da escola onde outros meninos brincavam no pátio. O farol fechou e os pés pisaram as faixas. Não teve tempo de parar. Não esbarrou em nenhum homem, em nenhuma mulher.
Na praça, desviou dos bancos e pulou um cercadinho. Seu olhar desviou-se rapidamente para as flores e logo voltou ao seu destino. Tinha sonhos e não sentia o frio, embora houvesse raios de sol entre as árvores, fazia frio entre os galhos e a blusa mais quente estava no cabide que não era seu.
Ouvia o canto dos pássaros que compartilhavam uma melodia triste de fim de tarde.
Passou em frente a varanda da velha que ainda não terminara seu chá. O cão apenas levantou a cabeça ao ouvir os passos do menino se aproximando, mas não ousou latir pois sabia que o menino não corria de ninguém, apenas seguia seu caminho.
A gaiola tilintava em um som baixo entre o ferro e os ossos do menino.
Ao longe, o jardineiro que trabalhava na grande casa pelos fins das quadras, viu a mazela imagem acompanhada por sua sombra. A sombra o seguia onde quer que fosse, mesmo que o menino não a visse, mesmo que não a percebesse, mesmo que não houvesse luz.
Naquele fim de tarde, ouvia-se o vento brando cantar ao pé do ouvido e o sol já avermelhado no céu que cobria seus passos. Passou pelas sacas de arroz e levantou uma singela poeira na calçada da venda. O dono levantou a pestana e apenas olhou para fora. Não viu o menino passar, apenas ouviu seus passos sumindo. Voltou a ler o jornal.
As casas com telhados quentes sentiam aos seus pés a correria. Houve quem esperasse a noite cair e as luzes acenderem-se. O som da música no rádio de pilha.
Os passos iam se cansando e o menino ia diminuindo, embora não estivesse determinado a parar. Chegou perto do beco estreito com o chão asfaltado por pedras desenhadas. No fim do beco estava uma pequena macieira velha e encurvada. Não havia bancos nem rosas no fim do beco, apenas a árvore.
Houve quem quisesse cortá-la dali e plantar outra. A macieira.
O menino entrou no beco e seus passos ficaram lentos e silenciosos. O céu coberto por um tom alaranjado forte e algumas sombras do beco confundiam-se com a rua. Os muros não eram altos e foi ali que o menino parou.
Sentou-se embaixo da árvore e colocou a gaiola ao seu lado.
Houve também quem não viu o menino passar. O menino parou para descansar. Encostou a cuca no tronco e esticou os cambitos. O joelho estalou.
Viu-se sozinho no fim do beco. Não ouvia barulho nas casas ao redor embora fossem poucas e insignificantes. Apenas olhava para frente com os olhos pensos. Em nada pensava, apenas sentia o vento em seu pescoço passar para as orelhas.
Olhou para a gaiola vazia e a aproximou dele. Passou o braço por ela como se fosse capaz de sentir algo por aquele objeto morto. Fechou os olhos e sentiu seu coração bater.
A noite já havia caído e o menino não tinha sono. Olhou para o céu e viu a lua. Sim, ela havia chegado.
Pegou na aba da gaiola e levantou-se. A árvore entristeceu-se.
O menino tomou novamente seu rumo. Algumas estrelas brilhavam no alto, o vento havia cessado e apenas passara pelas folhas da velha macieira. E o menino corria pela rua.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Privacidade

Essa crônica nasceu no terceiro ano de faculdade,em 2008, quando uma conhecida pediu que eu fizese um roteiro para um curta metragem. Eu o fiz. O tema era "Privacidade"
Aproveitando esse embalo do post passado (278, 4º andar) publico esse novo texto.


O lugar continuava quieto. Na calçada as folhas não haviam sido varridas. A rua vazia e o sol já indo embora. A vizinhança não conhecia o homem que morava no mil e dezessete, afinal acabou de mudar para o lugar.
Seu jeito era estranho, comentava consigo dona Cícera, mulher que morava há mais de quarenta anos no bairro, número noventa e dois. Achava que, por ser a mais velha, era dona do lugar e tinha regalias a mais. Só achava.
Ao mesmo tempo que reclamava, debruçada sobre a estátua do menino Jesus na faixada de sua morada, observava a jovem vizinha que aproximava-se. Moça nova morava com uma irmã e a mãe. O pai ainda não estava com elas, mas não iria demorar visto por suas noitadas regadas a álcool e libertinagens. Longas noitadas desde quando elas chegaram.
Ao ver a moça, Cícera deu um sorriso e acenou com a mão. Nenhuma palavra saiu de sua boca. Estava ansiosa para a chegada da vizinha Luíza, com quem trocou horas de vida alheia.
O homem surgiu. Cícera observava pronta para ser educada. Passava sobre os monumentos que estavam ali e voltou de onde havia saído.
Cícera levantou o pescoço e tentou enxergar o interior do lugar. O homem era estranho, nem olhou pros lados, só andou e entrou.
Ali poderia estar a explicação para o motivo de sua psicologia negativa. Aquele lugar há anos ficou vazio. Após o suicídio de Bira, um outro homem que não resistiu sua paranóica depressão, suicidou-se perto da entrada do lugar, com uma corda de amarrar talhas de madeira. Desde então, tudo era deserto.
Ali era um bairro. Onde morava.
Sua morada era grande, vistosa e toda feita pelos filhos em sua homenagem. Sentia-se orgulhosa com isso. Só estranhou a ala inferior a sua estar sendo habitada, sendo que ficou deserta durante quase dez anos. Ninguém aceitou morar ali, visto por histórias mal contadas.
A chuva estava por vir. O tempo fechou e o céu ficou nublado. O sol deu lugar às nuvens que se juntavam em formas diferentes.
Foi até o quintal para ver a rua. A moça nova apareceu andando. Não entendia onde estava, mas tinha no rosto uma certa serenidade.
Cícera olhava e estranhava aquela atitude, tal serenidade.
O quintal do homem era sujo e cheio de folhas secas.
Como era a mais velha, conhecia as histórias do lugar. Também sabia da índole daquela moça que não era das melhores. Imaginou que já estava de trambique com o homem. Ou de safadeza.
Na rua passavam, fora dos muros de seu bairro, algumas pessoas. Cícera cumprimentava e ninguém respondia. Já estava acostumada com tal reciprocidade.
Virou-se e viu alguns de seus conhecidos encostados em suas novas moradas. Alguns viviam ali durante anos, outros chegaram há pouco tempo. Ela era a mais velha e destacava bem isso. Viu muita gente chegando de várias maneiras, até que foram esquecendo aquele lugar que era chamado de bairro.
Contava-se no dedo quem ainda ficara ali.
Cícera não sabia ao certo para onde as pessoas iam quando dali sumiam. Sabia que um dia iria também, embora não fizesse planos para tal.
Viu novamente o homem passar ao longe. Não sabia onde estava, nem ao menos quem era. Haviam algumas meras lembranças em sua mente de quem foi quando ainda não estava ali. Agora já havia se esquecido.
Ela quis ajudar. Aproximou-se dele e olhava em seus olhos.
Ele não a via.
Continuava andando. Seus olhos e sua expressão eram de angústia. De sua boca não saia um ruído.
Ele não conhecia ninguém ali e não aceitava aquela situação. Cícera acostumada, sabia ali, quem ficaria por algum tempo e quem nem ao menos entraria no bairro.
Caminhou satisfeita por estar bem onde estava. A moça, tranqüila em sua expressão não estava mais no bairro. Embora havia acabado de chegar, partiu por aceitar sua condição e ter feito obras que lhe deixaram satisfeitas.
Cícera entendia a privacidade do homem e sabia que naquele ponto não podia mais ajudar. Ele teria que encontrar seu caminho, sozinho.
Sua morada era vazia e fria. A do homem também.
Após a morte, é cada um por si.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

278, 4º andar

“Sentado em uma cadeira azul de roldanas móveis, questionou se eu queria mesmo escutar. Eu disse que sim. Então, ele começou a contar”

Parte I

Disse que o apartamento onde morava com o pai, há uns oito ou nove anos, estava no quarto andar de um prédio próximo à linha verde do metrô. Era um apartamento relativamente grande para duas pessoas, ainda mais para dois homens, que costumam ter poucas coisas.
Ele ainda não tinha entrado na faculdade, mas já havia terminado o médio. Namorava uma garota da mesma idade que ora ou outra visitava seus cômodos. O pai trabalhava como entregador e durante a manhã, tarde e início da noite estava na rua, ou melhor, nas ruas, andando, encaixotando e dando destino às pacotas de madeira oca. Tinham uma empregada, nordestina de fé, que tinha no rosto um semblante cansado, visto por alguns detalhes de rotina pesada em banheiros de outras famílias. Apresentados os personagens, embora ainda haja outros por vir, digamos que não são somente estes que fazem parte deste enredo.
Ele, o autor da história e vivente dos fatos, dizia que do seu quarto ouvia-se alguns estalos vindos da cozinha. Desconsiderando que as lâmpadas queimavam com freqüência, as casas em geral estalam, seja nos móveis, na parede ou até mesmo nas janelas que foram mal fechadas. Engraçado o fato de algo inanimado, ora ou outra, estalar, mas assim o são, mesmo os apartamentos. Talvez tenha sido isso que ele tenha ouvido da cozinha.
A situação começou a ficar desagradável quando algumas louças batiam umas nas outras durante a madrugada. Antes de dormir, pegava na cozinha um chá ou suco e, depois, o vidro, a panela e as vasilhas de plástico pareciam ser vasculhadas vagarosamente, em alternâncias de ruídos. Somente ratos poderiam fazer essa baderninha, mas não.
Contou também que quando saía de casa, ou voltava, tinha a impressão de ver um semblante humano, raquítico passar pelas ventas. Ora saía de traz da porta, ora estava no quarto na beira da porta. Esse suspense todo o fazia acordar no meio da madrugada, com medo e com a sensação de que alguém estava observando-o, bem de perto e mesmo quando acendia a fronte do celular ou até a luz do quarto, não via nada, mas algo estava com o que quer que seja mirando-o enquanto dormia. Já chegou a ter a impressão de ser despertado, com uma figura sólida encostando em suas costelas. No cansaço dormia novamente, mas no outro dia, analisando os fatos, estranhava esses despertares.
Eram católicos, ambos. Pode-se dizer que não praticavam a fé dos domingos ou dos jejuns, mas tinham na raiz um tanto de alicerce apostólico. Vez em quando, rezava, mais pela situação de medo do que prestação de contas com o divino.
Num sábado, depois de um feriado, o pai resolveu gracejar nas paredes e pendurar umas molduras pintadas a óleo. Eram dois ou três quadrinhos que foram dispostos entre a parede da sala e o lavabo. A empregada, vinha pelo elevador de serviço e todos os dias passava pelo vidro que antecedia a porta principal, que dava acesso à sala. Costumava engomar as roupas na cozinha, enquanto assistia numa tela CCE de 15 polegadas, suas novelas de tarde.
Ele já sabia que ao abrir os olhos de madrugada, ouviria o balancear das louças. Ela não.
Um dia, ele trouxe a namorada para dormir em casa. O pai chegaria tarde e já estava cansado de trocar telefonemas demorados para conseguir pegar no sono. Ela estava com ele esta noite e pela primeira vez, chegou a querer ouvir os barulhos para compartilhar do medo com a garota. A madrugada foi silenciosa.
No dia seguinte, a empregada, bateu sutilmente na porta e disse que o café estava pronto. Ofereceu para a namorada, pois sabia que ele não gostava de café. À tarde, saiu pela cidade e voltou à noitinha, quando as luzes alaranjadas do poste invadiam levemente a sala.
Era comum acender todas as luzes, mesmo para atravessar de um cômodo a outro ou para ir ao banheiro no meio da noite, o que evitava. Do medo do escuro, talvez fosse explicado pelos medos que sentia quando criança, ou por um medo universal do que não se vê.
Um dia, ao acordar, ouviu gritos de um homem vindos da sala. Pensou ser nas proximidades ou na rua, mas eram nítidos, até altos. Não entendia o que o homem pronunciava, mas estava irritado com alguém.
Saiu descalço do quarto e o pai o impediu de chegar na sala. Questionou se havia alguém dentro da casa e o pai não queria dar respostas imediatas.

Parte II


Depois de uns quarenta minutos de gritos e bravios pronunciamentos do homem, sentaram-se os três enquanto o homem explicava os fenômenos que vinham acontecendo. O que demorou para dizer e saiu com certo desconforto, foi a afirmação que eles não estavam sozinhos na casa. O motivo do soco nas costas do pai durante o banho foi o que trouxe aquele estranho em casa. Ele estranhou seu pai não ter contado, mas como todo descrente, só aceitou o fato quando caiu no banheiro jurando que alguém o bateu por trás.
Um parêntese: Isso me soou óbvio demais, lembrei de Psicose de Hitchcock, mas ele não parecia mentir. E não estava.
O homem perguntou se alguma reforma havia sido feita na casa e o pai alegou que apenas os quadros foram recentemente colocados.
- Um morador antigo, ainda permanece no apartamento.
O pai não acreditou e pediu detalhes.
- Uma senhora, morreu aqui, e não quer que sejam feitas mudanças em ‘seu’ apartamento.
O pai, descrente chamou o porteiro, para perguntar sobre os antecedentes do lugar. Preferiu o homem dos portões, por sua simplicidade nas palavras e por não saber burlar algumas situações, mesmo tentando.
- Uma velha morava aqui, disse o negro. Morreu aí dentro, não lembro do quê. Os filhos venderam depois para um casal antes do senhor, mas eles mudaram para outro estado.
Atônitos, passaram a acreditar na história do homem que a pouco gritava na sala, e que sugeriu uma série de orações e rezas oriundas do espiritismo, para afastar quem, ou o quê estivesse ali de intruso, ou intrusa, no caso da velha.
Contou-me que o fato de ser uma senhora podia amenizar o peso de, se caso, algum dia chegasse a ver algo. Afirmou que não agüentaria e entraria em estado de choque. A figura de uma anciã andando pela casa, remexendo as louças ou mesmo de perfil ao lado da porta fazia com que sua cabeça projetasse imagens que não existiam. E sabia que não existiam. Diferente dos barulhos que rondavam seu quarto e não passavam das paredes da cozinha para fora do apartamento.
O pai pediu sigilo, referindo-se à empregada. Visto pelo salário que pagava e pela confiança conquistada em algum tempo de louças lavadas, sem ruídos.
Depois, em seu quarto ouvindo o velho rock’n’roll, em volume baixo e solos trabalhados, começou a remoer as frases que o homem jogou ao ar enquanto explicava quem está na casa, como primeira pessoa. Ele interpretou e raciocinou apenas a parte ‘... há mais alguém aqui’ e nada depois disso teve sentido ou foi entendido, pelo menos por ele. O fato extraordinário em imaginar que um ser, ou um espírito que seja, luta mesmo depois da morte por um espaço terreno soa até engraçado, mas esse gracejo mórbido acaba quando a luz do seu quarto se apaga e a porta lentamente vai se fechando, numa velocidade incrivelmente demorada. Imediatamente levantou-se e tocou o interruptor. A luz não acendeu. Correu para a sala e conseguiu iluminar o cômodo. Olhou para o quarto que ainda tocava música. Quis sair do apartamento, olhou pela janela e viu a rua. Estava vazia, a não ser por um homem sentado na porta de um bar de esquina.
Retornou ao apartamento onde estava todo seu corpo. Irritou-se e gritou com tom de mandamento, ordenando que a coisa o deixasse em paz. O espírito tinha que entender que eles que pagavam o aluguel e se a briga fosse pelo lugar, mesmo no além haveria de ter acordos, financeiros ou de qualquer outra ordem.
Voltou ao quarto, ainda falando alto, não querendo ser importunado. Aumentou um pouco a música que serviria de alívio para aquele momento de repúdio com uma senhora intrometida e invisível.
Quando percebeu acordou no meio da madrugada. Não soube como adormeceu, mas acordou e com um barulho. Alguém andava dentro do quarto. Sentiu um arrepio nos pés que repentinamente passou para as costas, o que o obrigou a se comprimir na cama e perceber que o som estava ainda ligado. Embora o disco tivesse acabado de tocar, no visor marcavam exatamente duas da manhã. Não era som de passos que estava dentro do quarto, mas rangidos que vinham da porta e da parede atrás dele. Embora pudesse ser milhões de outras hipóteses, o maldito espírito era o que rondava sua cabeça. Dormiu novamente, mas só se deu conta disso quando acordou no outro dia com a empregada passando roupa na sala, com sua filha de sete anos, ao lado.
A empregada não conseguindo disfarçar sua ansiedade, deixou o ferro quente e andou dois passos segurando a mão da menina, para falar com ele. Assim que o viu sair do quarto, a mulher com os olhos lacrimejantes perguntou quantas pessoas estavam com ele na manhã passada, quando estranhou uma festa acontecer às sete da manhã de uma quinta-feira quando chegava no apartamento para mais um dia de trabalho.

Parte III - Final


Chorando. Era assim que a empregada estava, segundo ele, mas num choro tão miúdo que se confundia com um bocejar mais volumoso, pois ambos fazem os olhos ficarem molhados. Sua angústia, ao mesmo tempo que transmitia um sentimento de dó, dava medo pela aparência da mulher.
Contou que, ao sair do elevador, ouviu vozes de pessoas conversando, murmúrios de sílabas misturadas e passos para todos os lados no cômodo interno. Visto que estava ainda no corredor que dava acesso à sala principal, entrou por outra porta, direto para a lavanderia e não quis incomodar as sucessivas conversas de dentro da sala. Não conseguiu identificar nenhuma voz, como a do patrão ou do filho dele, mas seus tímpanos logo reconheceram timbres masculinos e agudos femininos, mais agudos que o convencional. “Uma festa” pensou “... mas essa hora?” pensou logo depois.
Deu início às tarefas do dia, entre panelas e a mesa que ainda estava com louças do jantar. Em pouco tempo ocupou-se com a cozinha e não se deu conta que as vozes haviam sumido. Não ouviu nem porta da sala, nem o apito do elevador ao abrir suas portas magnéticas. Estranhou. Chegou perto do box de vidro da sala, tocou a ventana que a ajudou a abrir e viu o vazio, a sala como havia deixado no dia anterior. Era quinta-feira. Manhã de quinta, com sol e sem ninguém no apartamento, além dela.
Teve medo do sofá, do rack, da televisão e de toda a sala, ausente das pessoas que falavam freneticamente há uns dois minutos, ou menos. Tentou lembrar como pôde não ouvir as vozes sumirem e se realmente aquele murmúrio viera daquele lugar quando chegou. Não conseguiu pensar, estava parada, sem entrar nem recuar. Surpreendentemente, a sala estava quente, abafada e pôde jurar que pessoas acabaram de sair dali. Pensou em Santa Fátima, Nossa Senhora Aparecida e por fim, disse baixo o nome de Jesus, santo e misericordioso. Pediu um perdão baixo por algum pecado que podia ter cometido e invocado aquelas vozes para lá. Não, a sala estava vazia e agora, o autor dessa história ouvia sua empregada, contar e soluçar sobre o ocorrido daquela manhã de quinta.
A pequena menina, que agora já tinha sua mão apertada pela mãe, olhava para o rosto molhado e triste dela e quase chorou junto, mas teve vergonha do filho do empregado que fixamente prendia seus olhos no chão ao ouvir a mulher e ver a menina ao lado.
- Rezei o terço, na verdade o rosário e agora só vou trabalhar aqui se minha filha puder vir comigo. Sozinha aqui, eu não fico mais.
Ele disse, contando-me, que ficou sem palavras, sem reação e entenderia se a mulher quisesse ir embora dali, pedir demissão ou mesmo abandonar o emprego. Aquilo pareceu afetá-la mais psicologicamente do que fisicamente, com um medo de algo que não podia explicar. Sua raiva estava aumentando e naquele momento permitiu (ou até pediu) que ela fosse embora, queria ficar a sós, sozinho de verdade.
Assim que a empregada saiu, foi até a geladeira, pegou um pedaço de mortadela e jogou num pão de forma sobre a mesa. Comendo, andou pela casa e olhava com um certo poder de superioridade todos os cômodos. Desde a sala e especialmente a cozinha de onde vinham os rangidos e o bater das louças na prateleira.
Ouviu a porta da sala se abrir. E fechar.
- Pai? Gritou desejando que fosse o pai. Não era ninguém, nem nada.
Começou a brigar, esbravejar, jogar palavras às paredes do apartamento enquanto pedaços de pão e mortadela recém mastigadas surtiam de sua boca. Xingou o espírito, amaldiçoou a vida que aquela velha teve, insultou na cozinha, no quarto e prometeu que iria afastá-la dali. Era sua casa, seu apartamento e estava ficando difícil essa convivência quase real com algo inexistente. Chorou, quis rezar e acabou chutando a mesa de centro da sala. O vidro quebrou. Sua fúria aumentou e foi à cozinha derrubar toda louça que estava na prateleira. Gritava, chorava junto, machucou a mão, não percebeu.
Quando parou, o apito do elevador soou longe. Ouviu passos e logo o barulho do trinco. O sangue escorria em sua mão e assim percebeu o quanto o apartamento estava escuro, mesmo com o sol lá fora.
Sua vista ficou turva, os olhos encheram de lágrimas e uma fúria invadiu sua mente, mas não se levantou. Viu uma sombra cruzar a sala e entrar na cozinha.
- Vamos nos mudar, disse o pai.
No mesmo dia, mais a tarde, nenhuma palavra foi proferida sobre as panelas no chão que sequer foram arrumadas no armário, ou sobre o sangue em sua mão que já havia coagulado. O pai parecia triste, demasiado amedrontado e não proferiu nenhuma palavra a não ser para questionar sobre determinada peça de roupa ou dar uma ordem boba ao filho. Já ele, o filho, não questionou o que o levou a tomar aquela decisão tão repentina de mudarem de apartamento, mas se fosse para se arrepender, preferia o fazer quando estivesse longe dali e não contrariou o pai.
- Aluguei dois cômodos na Consolação. Ficamos lá até conseguir alugar esse aqui ou mesmo vender.
Não desejava que ninguém morasse ali, visto pelos tormentos que vivenciaram durante meses entre aquelas paredes.
Um barulho vindo da sala, como um líquido derramando, chamou a atenção de ambos, mas o pai em um tom sereno e cansado incentivou a não averiguar.
- Nenhum móvel da sala será levado. Deixe tudo ali.
Saíram do apartamento levando apenas as roupas e alguns pertences. O caminhão viria mais tarde para levar os móveis do quarto e cozinha. Pormenores, como panelas, vasilhas e os quadrinhos da parede seriam todos queimados, pelo zelador. Isso foi o que o pai disse enquanto desciam as escadas.
No outro dia, a empregada tocou a campainha às sete e quinze da manhã. Em demoradas pausas, tocou cinco vezes e toda vez, ouvia a campainha ecoar dentro do apartamento vazio. Entre um toque e outro, se negou a olhar pelo olho mágico. A filha a acompanhava.
A maçaneta da porta girou levemente e o pai abriu com um sorriso largo e com o sol invadindo toda a sala.
- Entre, disse.
Ela entrou e logo o filho, longe do apartamento, lembrou-se que a porta abriu duas vezes. E fechou duas vezes.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Festival Latino Americano de Cinema em SP

Entre os demais que foram conferir o evento, eu estava trabalhando, mas sondando os cineastas que andavam por lá e que traziam consigo las películas prontas. Penso o quanto já fizeram para gravar e montar suas produções. Com fotografias belíssimas e recortes interessantes nos enredos, o cinema argentino, boliviano e também o brasileiro, erguem o chamado 'estímulo' para um novo cenário nas produções latinas.
Vídeo gravado no dia 12 de julho de 2010, no Memorial da América Latina, na abertura do Festival Latino Americano de Cinema em São Paulo. Fomos conferir o evento e o filme "Água fria do mar" da Diretora Paz Fábrega, super jovem e nos cedeu uma entrevista. Imagens e edição desse que vos escreve e anseia também por una película particular futura.


quarta-feira, 7 de julho de 2010

Liberdade, liberdade


Embora eu (ainda) não use Black-tie, já me sinto muito próximo de compromissos inadiáveis onde tenho em mãos o livre arbítrio de desistir ou não de tais afazeres. Levei-me a refletir sobre a tal liberdade enquanto, sentado no sétimo andar do prédio onde todos os dias ganho o pão que o diabo amassa comigo, estava a degustar de comida pronta em montes, em um dia ligeiramente ensolarado. Da vidraça fechada em minha frente, via ao longe duas das chamadas montanhas-russas a fazer pessoas gritarem e eu, a vê-las girar e voltar em trilhos de ferro bem estruturados, invejava em pensamentos aquele momento de êxtase momentâneo alheio. Mesmo em pouco tempo do passado, eu também já ter corrido naqueles trilhos, me questionei quem estaria sentado nos carrinhos coloridos em plena terça-feira, gritando, soltando gemidos de felicidade, enquanto eu, terminaria o bife e voltaria aos afazeres maçudos. Não só na montanha, mas também no kamikaze, na queda livre ou no algodão rosa de cor doce.
Eram adolescentes, em sua maioria, de pais-alicerces ou pai-dinheiro, que ainda, ou quem diga nunca, chegariam a preocupar-se com o pão e azeite para as crias.
Voltando ao conceito libertário, ou aos pensamentos que o rodeiam, questionei-me (ou a Deus, ou à vida, ou a quem queira responder) o que é ter liberdade, ou ser livre para divertir-se às terças, ao meio dia e pouco e ainda sorrir? Se ter um trabalho, sendo ele digno, não poderia pensar em cargos mais políticos ou que envolvam propina ou diplomacias mais rígidas. Nestes cargos, têm se muito dinheiro lavado, de outros e quase sempre os filhos é que gozam dessa vantagem. O pai, muito faz, paga mulheres da vida que executem bem o sexo enquanto fecham o vidro do carro para assim poderem gozar, agora literalmente.
Liberdade, pode vir também em forma de um bom emprego, um trabalho que seja ingrato no salário, mas te dá estabilidade ou instabilidade, depende do quanto você busca em termos financeiros para alternância dos significados. Porém, há controvérsias nisso tudo e nesse papo de voar sem limites. Em um mundo capitalista e mediocrático, ou trabalha-se para garantir a polenta e não sobra restos de tempo para as montanhas russas, ou se tem um maior que banque essas futilidades com sol no meio da semana. Ao mesmo tempo que abocanho a escarola, lembro que aos finais de semana, me sinto perdido, vagabundo até ou mesmo sem o chamado ‘ânimo’ para ir ao parque e apenas não fazer nada. O gosto teria mais tempero se naquele momento, naquele do almoço, eu deixasse o sétimo andar e fosse correr aos braços da liberdade que me garantiu aquele parque, que até então estava pequeno pela altura que eu estava.
Outro conceito, claro pensado e analisado por este que vos escreve, é ter férias, muitas vezes mal remuneradas, mal aproveitadas por ter prestações a pagar. A idade aproxima a aposentadoria e quando isso acontece, virão as rugas e o cheiro de tecido velho, que a labirintite não vai deixar cair de uma altura de sessenta metros içado a um cabo de aço.
E assim, fica no ar o que é ser livre, ter liberdade, viver as liberdades da vida. Ter emprego e não dinheiro? Dinheiro, quem pague e nada de prestígio profissional? Dinheiro, prestígio, beleza, quem pague e dias livres? Nestas arestas tenho medo da monotonia, isso com ou sem trabalho. Aguardar a próxima estação e nela descer ou pegar o primeiro trem e nele embarcar? E nisso juntam-se tantas outras pendências, como a ginástica, a balada, o sexo, um amor (que é o mais complicado deles) e instintivamente o emprego que nos tira, nos dá e nos questiona sobre essa liberdade auto-assistida.

Nota: “Depois, neste mesmo dia, já noitinha dentro do carro, ao filosofar com minha mãe sobre o texto acima, ela, me escutando e ouvindo o cri-cri do grilo, soltou: ‘Tudo é tão simples como o som do grilo’ Calei-me.”

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Sobre lindos e feios

A beleza abre o apetite. Há quem diga que ela se esvai com o tempo e quem acredita no eterno brilho. Controvérsias.
Ser ou estar bonito, é questão de dia, hora, aura, momento. O ser humano busca incessantemente a beleza do corpo, da alma, do olhar e esquece que a mente processa a beleza que o corpo proporciona.
Há quem prefira ser lindo e há quem queira ter um lindo. Para outros a beleza está no interior, supostos ingênuos que deveriam saber que admirador de beleza interior nada mais é do que decorador. É o primeiro sentido que se vê, a primeira das questões no vestibular da aproximação e também o primeiro prato a se colocar na mesa, bem ao lado da conversa sobremesa. Ter papo é tudo, unido logicamente de um hálito hortelã. Bom papo de enxofre não agrada nem o diabo que se acostuma com tais fatos.
Futilidade e belas curvas funcionam bem uma ao lado da outra. Há milagres que andam e se escondem por aí. Difíceis, ás vezes fáceis, mas sempre com uma aliança no dedo. Pessoas bonitas e inteligentes têm compromissos, senão não teriam essas duas virtudes em um só corpo.
O que tem bom papo, hortelã e camisa engomada não agrada no rosto. É inteligente, sucedido e bem informado de assuntos sexuais, mas na teoria. Vive solteiro a procura de uma saia rodada ou um dinheiro mal empregado.
Há quem diga também que ter um feio é melhor do que ter um lindo. Não há cobiça, não há perigo e há carinho, não exatamente nessa ordem e nem numa veracidade completa. Tudo em suas exceções.
O lindo nasceu assim e sempre será assim, o feio também. O máximo que o feio alcança é o bonito, o lindo não. O lindo não enfeia mesmo que engorde. Há exceções, claro.
À dois, quando se mostra a beleza em excesso de um lado, há questionamentos por parte dos invejosos sobre a tal aproximação. Ou o feio tem muito dinheiro ou tem o lindo como cria. Funciona também com as promoções de emprego.
Beleza tem suas dores, suas conseqüências, mas todas facilmente superáveis. Como se quem é muito bonito não venha a ter problemas financeiros ou amorosos - esses principalmente - por ter uma pele ou um cabelo de dar inveja. Inveja naqueles que não tem ou que criticam a posição do lindo. Os feios alcançam os melhores empregos, as melhores mulheres e os melhores carros (Sempre considere os fatos e não a ordem) Os lindos alcançam quando conhecem um feio que levanta seus caminhos, seja pela simpatia que sentiu pelo lindo, nunca ao contrário.
Interesses há em ambas as partes. O feio quer a beleza que não tem e o lindo o status que de uma maneira ou outra é conquistado.
Buscar a perfeição em um feio é algo complicado, pois por mais que haja emprego, sucesso e popularidade, o lindo vence somente por sua beleza.
Há quem tenha no espelho de Narciso a vergonha da imagem. O estado da alma revela a beleza do corpo. A felicidade acompanha o banho que lava o rosto.
Quem namora um lindo, anda preocupado, ligando e coçando a cabeça. A confiança é mínima e a convivência limita-se a uma redoma de cristais que não reflete a alma. Vê-se somente a carapaça.
Quem aposta na alma que não se vê, paga um preço justo. Tem as datas lembradas, comida boa e é amado, isso quando as exceções falham, pois há feios esquecidos que não se dão conta dos atos.
O perfume ameniza a falta de beleza e as roupas quase sempre são vistas em primeira mão, isso no feio. Fazem a diferença e não acrescentam nada. Diferente nos lindos que com uma camisa laranja velha continuam lindos.
Para os lindos, produtos de beleza dados como presente são complementos e realçam alguma coisa. Para os feios, são ofensa e necessidade.
Há quem prefira sofrer as escórias de se ter um belo monumento ao lado no banco do ônibus. Paga-se um preço por isso e ele é alto. Mais alto do que ficar só: concorrência, auto-dominação e oferecimentos sempre renovados, a não ser que haja humildade na parceria linda, coisa rara também no mercado.
Em outras palavras, a beleza excessiva vale por si só e completa os mais ambiciosos que querem provar, quase sempre para si, que conseguem manter um relacionamento com um semi-deus seja ele grego ou de classe baixa, ou os dois. Sem esquecer que a maioria deles se encontra nos lugares mais inesperados, onde raramente estamos e quase sempre de chinelos e meias.
Os que amam um feio quase sempre são feios também, porém é difícil haver dois lindos juntos. Não dá para explicar. Ou os lindos preferem ficar só, ou são rejeitados pelos menos bonitos por exatamente serem exuberantes. Lindos e feios combinam bem e são as maiores parcelas casadas no mundo.
Em outras palavras, há quem diga também que a beleza é primordial para entreter, ou para ser alguma coisa. Fato negado visto pelos maiores exemplos de sucesso serem tão feios e chamarem atenção por isso.
Beleza e feiúra destacam-se e ganham seus lugares na vida de todos. Discordo de quem diga que os lindos são mais felizes ou vice-versa. Lindo ou feio, nada mais são do que um padrão de escolha e um método para separar um do outro, porém de uma coisa não podemos discordar: todos querem ou ser ou ter um lindo, seja por um padrão que ninguém sabe quem inventou ou por mera vaidade.
Há também quem diga que o feio simpático é feio e o lindo arrogante, é lindo.