Era quarta-feira. Dia fatídico cheio de trabalho, chefa, luzes de poste. Chato por si. Saiu do trabalho, entrou no Citroen e seguiu rumo ao litoral. Não avisou a família e sabia que ia ter problemas pelo sumiço instantâneo e não teria como explicar o motivo de descer à baixada no meio de março, depois de um meio de semana repleto de números.
Ouvia as músicas que levava em seu mp3 plugado no som do carro. Ficou feliz por ter adquirido o aparelho há dois anos.
Mantinha uma velocidade branda, avistava as luzes das casas de beira estrada que compunham a via que já havia passado em outros carnavais, natal ou réveillon, mas em março, ainda não. E sozinho, tampouco.
Eram poucos os automóveis que iam no mesmo rumo que o seu, mas havia. O celular acendeu no banco do carro e viu que a operadora havia mandado uma mensagem. Ignorou. Passava pouco das onze e ainda ninguém de casa entrou em contato, pois costumava chegar após os doze minutos das zero.
O túnel abafava o som da noite. Norah cantava baixo num timbre doce. Não negava o motivo de precisar ver o mar, mesmo que de dentro do carro. Seu olhar estava longe, distante do mar para onde ele se aproximava. Exultou-se pela liberdade, emprego, amigos e por ter a mãe por perto, mas era desarmado nas questões que envolvem o amor e suas peripécias.
Os amigos viram um amor antigo num barzinho de samba. Naquele domingo, ficara em casa por ter apenas vinte reais na carteira, mas não se lembra do motivo por realmente não ter ido. Mas foi bom ter ficado no quarto, ou não.
Já tinha ido lá quinze, vinte ou cem vezes, em domingos seguidos até, e nunca havia encontrado nada que fizesse seu coração tremer. Até tinha um certo asco daquele lugar por ter gente feia demais. Tudo mudou quando soube que uma pele morena conhecida e nada de ex-amada andava sobre os muros laranjas daquele espaço.
Sabia que nada mais o importava sobre tudo o que passou, mas por milhares de motivos ainda guardava um sentimento que não era nem amor, nem paixão, nem ódio, nem sabia.
Olhou para o lado e viu a cidade iluminada de Santos abaixo de si. A estrada um pouco molhada e a casa que um dia repartiu de banhos estava lá, no meio daquelas luzes.
Deus o livre de um dia alguém descobrir que desviava seu caminho de quarta para afogar a lembrança de um estranho sentimento. Tinha parentes de amigos na praia, de casas com jardim e piscina de lona. Queria só ver o mar.
Não soou sequer uma palavra dentro do carro e quando calava-se estando sozinho, a situação poderia ser considerada séria. Falava constantemente sozinho, dando broncas em si mesmo e despistando algumas dores com piadinhas sem-graça que duravam segundos.
O farol iluminou um homem que caminhava na beira da estrada. Quis descer, contar, pedir uma opinião, pois talvez o magricela poderia dizer uma palavra que o ajudaria naquele momento. Que pensamento besta! Poderia ser assaltado e seu corpo encontrado depois de alguns dias. O que sua mãe diria? Tinha apenas 26 anos. Sorriu pela primeira vez desde que cruzou o primeiro pedágio, quando riu do... do que mesmo? Esqueceu.
Entrando na cidade, viu uma grande estátua de Nossa Senhora Aparecida, depois um bordel mal iluminado e uma casa pintada com um peixe azul na porta. Sentia o cheiro de estofado, que tinha mandado lavar anteontem, segunda, quando soube que o amor estava por perto, mas ele estava em casa ocupando-se do domingo.
Sentiu uma brisa fria no rosto e piscou com a luz de um ônibus que cruzou com ele na rotatória. Viu uma rua pequena, com casas e alojamentos amontoados, que mais parecia um grande corredor no meio da cidade. Tinha areia na valeta, no canteiro central e alguns bares ainda estavam abertos. Viu que a cidade de praia também é cidade.
Sempre acostumado a vir para se divertir, acostumado com o MASP, a Augusta ou os faróis de longe da avenida Angélica, tinha um olhar menos preocupado nesse tipo de lugar, afinal tinha se tornado tão caipira dentro de uma metrópole que o bairro vizinho era novidade para ele.
Viu uma placa verde, velha, com as palavras: “Turistas, sejam bem vindos.” Não era turista. Era quarta-feira.
Entre alguns minutos esqueceu por que estava ali. Quis apressar-se para voltar e teve segundos de medo. Lembrou-se da mãe, quis chorar, mas não pela lembrança, ou não por essa. Ela – a mãe – simbolizava o mais tenro dos sentimentos, a perda irreparável, a verdade do coração, ao menos do seu e talvez isso fosse o que falta à sua vida bem sucedida de planos encaixotados em maços de papelão.
Virou a rua e fez uma entrada proibida, mas logo contornou para a rua que daria acesso à praia, porém não queria a praia e sim o mar.
Ouviu fora do carro os pneus arrastarem na areia. Viu uma grande montanha em frente ao carro e as casas ainda o impossibilitavam de ver as águas. Chegou mais perto, diminuiu a velocidade e o som das ondas que se quebravam longe, o remetiam às pedras que um dia sentou com o amor do samba de domingo. O oceano era um só.
Algo reluzia em um ponto da montanha e lembrou que não era montanha, mas monte. Este que o olhava, observando-o pequeno e só, em frente ao mar.
As faixas de estacionamento estavam apagadas no chão, em partes pela areia em partes pelo tempo que estavam pintadas ali. Amarelas.
Uma placa de aço, na altura dele, tinha o desenho de um coco com canudo, sorrindo para o nada. Aquele coco estava dormindo, era quase uma da madrugada.
Desligou o som e o motor do carro. Tudo ficou mudo e ele olhou para o mar.
Neste blog, pequenos textos do muito que se vê, se fala e se vive na poesia calcada de suor no cotidiano. Assim como o feminino de 'leão' é 'leã', de 'cão' é 'cã', o diminutivo de texto é "Textículo"
segunda-feira, 19 de abril de 2010
terça-feira, 13 de abril de 2010
O Teto
Hipóteses de pés que pisam no assoalho de vidro e refletem sua própria imagem no solo. Outrora, ouça o ruído que o teto pisado faz e quem é que está sobre as nossas cabeças. Há possibilidades de tocar o teto e ouvir se algum gato vagabundo anda acima e ainda é cedo para julgar se nosso destino é um dia pisar sobre a cabeça dos outros O teto que está sobre nós, revela que mesmo com as ilusões de não haver nada sobre nossas mentes, ainda há um teto, um lugar mais alto. Refleti sobre essa hipótese quando em pé sobre um tablado de cimento, fiquei mais perto do teto que outrora era distante e me causava alegria quando conseguia tocá-lo com meus dedos finos. Seja por algum que me levantou ou por subir em um móvel imóvel e firme. Me fez tocar o teto. Com as andanças da vida, passei a me aproximar do dito postulado e nem sequer me dei conta de que ele se aproximava de mim. Busquei – e ainda busco – sua proximidade íntima e ele se afasta quando mais eu o busco. Assim como a vida, o teto é um fato interessante, concreto de natureza e abstrato em suas conformidades. Podemos ouvir quem nele pisa, mas não saber quem nele está. Mesmo que para o ouvidor, o teto seja o auge, para quem pisa ele é o mínimo e para este também há um teto. Hoje pisamos no teto que serve de sonho para outro homem, abaixo de nós nem que seja só de passagem, amanhã nosso teto pode ser um chão. Quem o vê, nele quer estar, nele quer ser, encostar. O teto como fato inerente demonstrado por pinturas de cores ocres, borra-se com a bota de quem pisa. O teto é um segredo. Conciso em ser sustento e sonho ao mesmo tempo, separados em questões hipotéticas e um mesmo que o relata em ser apenas teto. Ouça enquanto um barulho provido do teto preocupa e um, do chão, incomoda. É mais trágico um teto cair sobre nossas cabeças do que um chão ruir abaixo de nossos pés. Paredes de cima preocupam mais do que as de baixo. Quem ousaria entrar numa casa onde o teto está caindo? Prefiro pisar no solo que se dilata do que bancar o besta em colocar minha cabeça abaixo de um concreto molambo. Infeliz de quem não se dá conta de que pisa num teto, naquilo que um dia foi o seu teto. O chão nada mais é do que teto de alguém e o teto, chão de outro. Batem as vassouras dos edifícios pedindo silêncio, trocam as lâmpadas do andar de baixo e olha-se pelo vão na obra mal acabada. Ainda quero estar no teto que observo com olhares fixos e sugiro que quem for pisar no meu teto, tenha consciência de que eu o deixei bem limpo e varrido. Digno de ser polido e capaz de abrigar um corpo cansado. O chão que um dia foi chão e hoje é teto para alguém, enquanto eu piso no teto que é meu por merecimento.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Dois Ois
Um texto com um pouco de melancolia e ao mesmo tempo simples, de pensamentos sem vozes, entre duas palavras.
- Oi? Disse deste lado da linha.
Havia ensaiado durante meses essa ligação. O número discado foi decorado e percebeu que não havia esquecido, pois não tinha sequer um papel ao lado com algo anotado. O coração aflito o fez lembrar naquele desgastado teclado numérico, quantas vezes tinha discado o mesmo número em anos anteriores e em outros demasiados aparelhos, quando ainda os sentimentos se encontravam em um mesmo almejo. Ligava de um orelhão público, com adesivos prostitutos colados ao pé do ouvido. O aparelho azul não tinha lábios vermelhos, mas dele surtiria a voz do ex companheiro que iria responder seus anseios, mesmo com palavras ocres, o timbre o bastava. Bem próximo do azul que o aproximava da voz longe em outras circunstâncias.
Aquilo que chamavam de relacionamento, de aliança no dedo e oculto dos parentes próximos, terminou logo depois de uma traição boba, que partiu de um dos lados. Estava cansado da falta de tempo e se emaranhou em outros braços, antes mesmo de encerrar o gosto do outro. Braços que eram mais frios do que a causa do término. Lembrou-se rapidamente das canções que embalaram o relacionamento, dos momentos de água salgada e do sexo que faziam enquanto os pais viajavam. Eram adolescentes de coração bobo, mas haviam amado verdadeiramente um ao outro, embora isso tenha acontecido em momentos distintos enquanto estavam juntos. Brigavam, calavam-se e beijavam-se no final. Lembrou também da viagem e do sexo que fizeram ao entrar na casa do destino antes mesmo de desfazer toda a bagagem.
Questionou-se como tudo aquilo podia ter acabado na intensidade do gosto que tinham um pelo outro. Ficou imaginando o que o outro pensava enquanto segurava o telefone ao ouvir seu singelo cumprimento feito de duas vogais. Não se deu conta que o fato de ter novamente ligado, fôra um processo de determinação e uma batalha contra o próprio orgulho. Discou em uma tacada só e entregou aos ventos aquele momento. Tantas outras ligações já tinha feito naquele orelhão para outros amores e para este também, mas não no momento que vivia agora. Viajou também pelo cheiro de saliva seca na pele, de outros sexos que esbarrou pelo caminho, todos para se convencer que era capaz de amar um outro alguém e caso um dia pudesse, contaria todas as aventuras que teve como prova de esquecimento, mas não. O outro estava na linha e havia sentido quem estava novamente o procurando.
Este outro poderia ter ido embora como prometera certa vez ou estar aquecido em outro coração ou se esquecido de tais momentos que o fizeram novamente procurar o passado atrás de uma seqüência numérica. O outro poderia também tê-lo esquecido e jogado todas as lembranças fora, menos uma foto que guardava apenas para se juntar aos demais casos que tivera durante seus dias devaneios. Ou não, podia ter tudo muito bem guardado na esperança de um dia retornar a amar a voz que estava do outro lado da linha. Teve raiva de si mesmo por
dois ou três segundos, pois não deveria ter tirado um tempo de sua vida tão corrida para aparecer em outra que dele correu tão cedo.
Imaginou o motivo daquela ligação, que não hesitou para atender, pois imaginou ser sua mãe perguntando do rodo que esqueceu atrás da porta da cozinha. Mas não, era um amor passado que novamente entrou em sua vida por um momento pequeno. Franziu os pêlos da sobrancelha, tentou transmitir calma e se fazer de desentendido, mas um sorrateiro sorriso surtiu de sua boca e imediatamente ficou feliz por não poder ser visto pelo telefone. Poderia passar pelo tom da voz o sentimento que julgasse necessário. Por ter recebido essa ligação embora também tivesse vontade de saber como o outro estava, tinha o poder sobre aquele momento. Ou não. Talvez por ter sido ele que encerrou a união há dois anos, tinha mais dúvidas sobre si do que aquele que deixou chorando na estação.
Ambos não sabiam o que falar e nem como agir, mesmo que não precisassem se mover. Alguns pensamentos se encontraram ali, as músicas, a chuva e quase instantaneamente puderam ler naquele segundo em silêncio que ainda tinham muito que ser um ao outro. Os dias o afastaram, o trabalho havia mudado e talvez agora pudessem dedicar um pedaço de tempo. Talvez estivessem mais maduros, mais determinados a amarem-se e tudo ficou tão perto. Moravam ainda em suas cidades de início, pois o número discado foi o mesmo. Um deles julgou lembrar-se das brigas para suscitar maturidade e não deixar que aquele minuto se tornasse doce demais e pudesse agir com a razão, como não fizera várias vezes em tempos remotos o que resultou em lágrimas que poderiam muito bem ter sido evitadas. Nem sequer tinham caído em si pelo nervosismo de um ouvir a voz do outro. Voltaram ao aparelho azul e o passado foi ligeiramente esquecido para que pudessem dar continuidade a uma conversa banal e ao mesmo tempo, interessante. Estavam presos ao momento e próximos em suas vozes, em coração, mas não juntos. Podia ser uma ligação qualquer, uma proximidade boba ou um rumo que se retornaria, quem sabe... Ou apenas mais uma das tantas conversas que fizeram durante seus vinte e alguns anos.
- Oi, respondeu o outro.
- Oi? Disse deste lado da linha.
Havia ensaiado durante meses essa ligação. O número discado foi decorado e percebeu que não havia esquecido, pois não tinha sequer um papel ao lado com algo anotado. O coração aflito o fez lembrar naquele desgastado teclado numérico, quantas vezes tinha discado o mesmo número em anos anteriores e em outros demasiados aparelhos, quando ainda os sentimentos se encontravam em um mesmo almejo. Ligava de um orelhão público, com adesivos prostitutos colados ao pé do ouvido. O aparelho azul não tinha lábios vermelhos, mas dele surtiria a voz do ex companheiro que iria responder seus anseios, mesmo com palavras ocres, o timbre o bastava. Bem próximo do azul que o aproximava da voz longe em outras circunstâncias.
Aquilo que chamavam de relacionamento, de aliança no dedo e oculto dos parentes próximos, terminou logo depois de uma traição boba, que partiu de um dos lados. Estava cansado da falta de tempo e se emaranhou em outros braços, antes mesmo de encerrar o gosto do outro. Braços que eram mais frios do que a causa do término. Lembrou-se rapidamente das canções que embalaram o relacionamento, dos momentos de água salgada e do sexo que faziam enquanto os pais viajavam. Eram adolescentes de coração bobo, mas haviam amado verdadeiramente um ao outro, embora isso tenha acontecido em momentos distintos enquanto estavam juntos. Brigavam, calavam-se e beijavam-se no final. Lembrou também da viagem e do sexo que fizeram ao entrar na casa do destino antes mesmo de desfazer toda a bagagem.
Questionou-se como tudo aquilo podia ter acabado na intensidade do gosto que tinham um pelo outro. Ficou imaginando o que o outro pensava enquanto segurava o telefone ao ouvir seu singelo cumprimento feito de duas vogais. Não se deu conta que o fato de ter novamente ligado, fôra um processo de determinação e uma batalha contra o próprio orgulho. Discou em uma tacada só e entregou aos ventos aquele momento. Tantas outras ligações já tinha feito naquele orelhão para outros amores e para este também, mas não no momento que vivia agora. Viajou também pelo cheiro de saliva seca na pele, de outros sexos que esbarrou pelo caminho, todos para se convencer que era capaz de amar um outro alguém e caso um dia pudesse, contaria todas as aventuras que teve como prova de esquecimento, mas não. O outro estava na linha e havia sentido quem estava novamente o procurando.
Este outro poderia ter ido embora como prometera certa vez ou estar aquecido em outro coração ou se esquecido de tais momentos que o fizeram novamente procurar o passado atrás de uma seqüência numérica. O outro poderia também tê-lo esquecido e jogado todas as lembranças fora, menos uma foto que guardava apenas para se juntar aos demais casos que tivera durante seus dias devaneios. Ou não, podia ter tudo muito bem guardado na esperança de um dia retornar a amar a voz que estava do outro lado da linha. Teve raiva de si mesmo por
dois ou três segundos, pois não deveria ter tirado um tempo de sua vida tão corrida para aparecer em outra que dele correu tão cedo.
Imaginou o motivo daquela ligação, que não hesitou para atender, pois imaginou ser sua mãe perguntando do rodo que esqueceu atrás da porta da cozinha. Mas não, era um amor passado que novamente entrou em sua vida por um momento pequeno. Franziu os pêlos da sobrancelha, tentou transmitir calma e se fazer de desentendido, mas um sorrateiro sorriso surtiu de sua boca e imediatamente ficou feliz por não poder ser visto pelo telefone. Poderia passar pelo tom da voz o sentimento que julgasse necessário. Por ter recebido essa ligação embora também tivesse vontade de saber como o outro estava, tinha o poder sobre aquele momento. Ou não. Talvez por ter sido ele que encerrou a união há dois anos, tinha mais dúvidas sobre si do que aquele que deixou chorando na estação.
Ambos não sabiam o que falar e nem como agir, mesmo que não precisassem se mover. Alguns pensamentos se encontraram ali, as músicas, a chuva e quase instantaneamente puderam ler naquele segundo em silêncio que ainda tinham muito que ser um ao outro. Os dias o afastaram, o trabalho havia mudado e talvez agora pudessem dedicar um pedaço de tempo. Talvez estivessem mais maduros, mais determinados a amarem-se e tudo ficou tão perto. Moravam ainda em suas cidades de início, pois o número discado foi o mesmo. Um deles julgou lembrar-se das brigas para suscitar maturidade e não deixar que aquele minuto se tornasse doce demais e pudesse agir com a razão, como não fizera várias vezes em tempos remotos o que resultou em lágrimas que poderiam muito bem ter sido evitadas. Nem sequer tinham caído em si pelo nervosismo de um ouvir a voz do outro. Voltaram ao aparelho azul e o passado foi ligeiramente esquecido para que pudessem dar continuidade a uma conversa banal e ao mesmo tempo, interessante. Estavam presos ao momento e próximos em suas vozes, em coração, mas não juntos. Podia ser uma ligação qualquer, uma proximidade boba ou um rumo que se retornaria, quem sabe... Ou apenas mais uma das tantas conversas que fizeram durante seus vinte e alguns anos.
- Oi, respondeu o outro.
terça-feira, 30 de março de 2010
Ontem andando na rua...
...a chuva começava a despistar minha paciência enquanto andava sobre uma calçada coberta de árvores de parque que faziam sombra branda sobre mim. Apertei o andar, segui minha sombra e vi ao meu lado um cão, andando, imitando meus passos ao dobro em quatro patas molhadas.
Vi pelos seus olhos que me seguiam, que queria levantar o olhar mas tinha a matreira de um cão de rua. Como um bom companheiro momentâneo.
Na hora com pingos de chuva, peguei o celular e quis gravá-lo ao meu lado. Maldito, não gravou nada, mesmo com a rua iluminada.
Eu estava sem meu morcegão, molhado dos ombros para metade das costas, entendiado e culpando meus dois empregos. Naquele momento quis registrar meu amigo de lado, mas a câmera não permitiu.
Passou uma mulher com seu guarda-chuva, me lembrei quando recebi uma carona a pé de uma companheira de ponto de ônibus e de mesmas águas, há tempos atrás. Sem nunca tê-la visto, partilhei de dois ou dez minutos de barulho de chuva. Mesmo momento com o cão, de ontem.
Ao virar a esquina, me afastei enquanto a chuva apertava e o cão despistou-se ocupando-se com a rua e voltando à sua vida de noite e de dias.
Me comparei com o cão e vi que muito de mim também sabe que é sozinho, que anda, vê, reparte águas e morcegos, vive sozinho com vidas que param e andam para outras esquinas.
Vi pelos seus olhos que me seguiam, que queria levantar o olhar mas tinha a matreira de um cão de rua. Como um bom companheiro momentâneo.
Na hora com pingos de chuva, peguei o celular e quis gravá-lo ao meu lado. Maldito, não gravou nada, mesmo com a rua iluminada.
Eu estava sem meu morcegão, molhado dos ombros para metade das costas, entendiado e culpando meus dois empregos. Naquele momento quis registrar meu amigo de lado, mas a câmera não permitiu.
Passou uma mulher com seu guarda-chuva, me lembrei quando recebi uma carona a pé de uma companheira de ponto de ônibus e de mesmas águas, há tempos atrás. Sem nunca tê-la visto, partilhei de dois ou dez minutos de barulho de chuva. Mesmo momento com o cão, de ontem.
Ao virar a esquina, me afastei enquanto a chuva apertava e o cão despistou-se ocupando-se com a rua e voltando à sua vida de noite e de dias.
Me comparei com o cão e vi que muito de mim também sabe que é sozinho, que anda, vê, reparte águas e morcegos, vive sozinho com vidas que param e andam para outras esquinas.
segunda-feira, 22 de março de 2010
O que uma segunda-feira cinzenta, quente e cheia de trânsito pode ter de poética?

O que uma segunda-feira cinzenta, quente e cheia de trânsito pode ter de poética? Hoje acordei com vontade de escrever, de falar bobeiras e de ver a chuva cair, sem me preocupar com o tempo e fazer com que ele se preocupasse comigo. Descobri uma música e ela disse muito sobre mim. Uma das vozes era conhecida, a outra novata. Andei lembrando das pedras. Dos olhares colocados sobre o mar e dos pés morenos que hoje estão longe.
Quanta melancolia para o começo de uma semana que é cinza e de chuva no retrovisor. Quem nunca se sentiu entre versos cansados, daqueles que muita gente já ouviu mas é único e seu naquele momento.
Quanta sabedoria em enxergar num dia ruim uma saudade saudável, uma fossa medida e em determinado momento, uma lágrima de orgulho próprio, do sentimento em saber que hoje já não se chora mais por um amor que andou mais do que as minhas vistas.
Olhei de longe as amizades de perto que ainda amam e sofrem pelo tempo sozinho que não podem, mesmo querendo, compartilhar os arredores de si.
Do carro de onde estava, registrei o momento com um celular ralado e que antigamente ligou para outras vozes.
Mesmo gordo, de cabelo desgranhado e com os olhos apertados pela fumaça da rua, encontrei nesta segunda uma lembrança que ainda é lembrança. Aqui a solidão não é tão doída, mas ela não está trabalhando agora. Novamente me pergunto, o que uma segunda cinzenta, quente e cheia de trânsito pode ter de poética?
terça-feira, 16 de março de 2010
Serviço de Macho!
Fiz este texto enquanto morava só. Ele foi publicado no blog Vida Sozinho (da amiga/jornalista/queridíssima Audrey Bertho) e também foi postado no meu blog passado. Como Audrey mesma anunciou: "uma crônica do radialista Daniel Pires, dos tempos em que teve que aprender a se virar..." Que ainda continua fazendo barulho nos meus mais novos dias.
Serviço de Macho!
Considero tudo aprendizado. Desde quando esfolava os joelhos na bicicleta, até quando vi que o tempo é o melhor remédio. Aprendi que não se deve ter opiniões precipitadas e que talento não é mostrado com palavras.
Aprendi também que amigos não te conhecem, acham que conhecem. Somente isso.
De uma nova experiência eu estou provando agora: Morar sozinho. Não somente pelas tarefas de casa, mas também pela solidão que virou companhia. Antes, não conseguia ficar sozinho e já me sentia triste. Hoje, vejo que a tristeza não é pela solidão e sim pela preguiça.
Mamãe fazia tudo. Papai nada. Irmãos, nada também. Eu, menos ainda. Andava, voltava ao computador, corria pro quintal e voltava ao quarto.
A louça era lavada, o quintal e tudo mais. Até o dia que foram embora.
Senti uma liberdade suprema, um sentimento de posse, do meu próprio nariz. Não que ele seja bonito, mas vale muito. Esse sentimento passou quando eu tive que lavar, cozinhar e ainda tomar banho! Não foi fácil, não mesmo.
Senti um acréscimo de mim mesmo, de um alguém que eu nem sequer sabia que existia.
Muitos amigos questionam de primeira como eu consigo sobreviver. Muitos deles, digamos a maioria, tendo mamães como “Amélias”.
Pensando bem, acredito que poucos lavam e cozinham para si. Alguns não sabem nem fritar um ovo, lavar banheiro então nem se fale.
Maricas, dona de casa, “do lar” eu fui tachado. Meus vizinhos agora me vêem lavando quintal e limpando cocô de cachorro. Quem dera, eles pensam.
Muitos não me conheceram antigamente, com meus quatorze, quinze anos. Quando meus pais trabalhavam fora e praticamente o dia todo eu ficava em casa, sozinho, comigo mesmo. Lavava louça, varria e aprendi a fazer arroz. Papa mas fazia.
O grande mal do ser - humano é querer fazer tudo de sopetão, rasteiro, sem treino. Lembro-me também quando comecei a dirigir, ano retrasado. Nunca tinha pegado um carro, aprendi na auto – escola, diferente de alguns que pegavam carro do pai e saíam por aí, ou de outros que dirigiam desde a adolescência. Eles dirigiam e eu limpava a casa. Creio que saí ganhando, pois hoje dirijo embora não tenha carro e ainda limpo a casa. Estranho.
Muitos deles zombavam quando meu carro morria. Para eles eu tinha que aprender na hora. Sentou, saiu e foi. Engano desse povo.
Muito me estranha também quando dizem que não cozinham feijão nem temperam carne. Coisa mais fácil. Poderia eu zombar deles agora. Mas não, zombaria é para os tolos. Desculpem o termo, amigos!
Ao cair da noite, no acender das lâmpadas, sinto saudades da minha família. Não sei o que a noite traz, mas ela traz. Porém, não me martirizo com isso. Tempo é tempo, fase é fase. Sinto uma preciosidade grande sendo gerada quando chego cansado e não tem comida porque ‘eu’ não a fiz, ou quando vou tomar café e, não tem café porque ‘eu’ não o preparei. Coisas do cotidiano, que se eu não as fizer ninguém mais faz!
Reflito isso com a vida: se eu não a viver, nenhum outro a viverá. Por isso que a sensação de liberdade se transforma em responsabilidade e também em “carão”. Preciso ser responsável para que minha vida seja produtiva e, também, ter motivos para fazer o que bem entendo. Tem alguém pagando minhas contas? Eu!
Não posso também deixar que essa liberdade seja exacerbada. Cuidado com a libertinagem!
Enfim, estou passando por uma fase difícil. Nem amigos, nem família e nem parentes me completam agora. (Isso que você pensou também não!), porém prazerosa. Descobrindo um alguém que aprendeu a dirigir e ainda consegue limpar a própria bunda, sozinho
Serviço de Macho!
Considero tudo aprendizado. Desde quando esfolava os joelhos na bicicleta, até quando vi que o tempo é o melhor remédio. Aprendi que não se deve ter opiniões precipitadas e que talento não é mostrado com palavras.
Aprendi também que amigos não te conhecem, acham que conhecem. Somente isso.
De uma nova experiência eu estou provando agora: Morar sozinho. Não somente pelas tarefas de casa, mas também pela solidão que virou companhia. Antes, não conseguia ficar sozinho e já me sentia triste. Hoje, vejo que a tristeza não é pela solidão e sim pela preguiça.
Mamãe fazia tudo. Papai nada. Irmãos, nada também. Eu, menos ainda. Andava, voltava ao computador, corria pro quintal e voltava ao quarto.
A louça era lavada, o quintal e tudo mais. Até o dia que foram embora.
Senti uma liberdade suprema, um sentimento de posse, do meu próprio nariz. Não que ele seja bonito, mas vale muito. Esse sentimento passou quando eu tive que lavar, cozinhar e ainda tomar banho! Não foi fácil, não mesmo.
Senti um acréscimo de mim mesmo, de um alguém que eu nem sequer sabia que existia.
Muitos amigos questionam de primeira como eu consigo sobreviver. Muitos deles, digamos a maioria, tendo mamães como “Amélias”.
Pensando bem, acredito que poucos lavam e cozinham para si. Alguns não sabem nem fritar um ovo, lavar banheiro então nem se fale.
Maricas, dona de casa, “do lar” eu fui tachado. Meus vizinhos agora me vêem lavando quintal e limpando cocô de cachorro. Quem dera, eles pensam.
Muitos não me conheceram antigamente, com meus quatorze, quinze anos. Quando meus pais trabalhavam fora e praticamente o dia todo eu ficava em casa, sozinho, comigo mesmo. Lavava louça, varria e aprendi a fazer arroz. Papa mas fazia.
O grande mal do ser - humano é querer fazer tudo de sopetão, rasteiro, sem treino. Lembro-me também quando comecei a dirigir, ano retrasado. Nunca tinha pegado um carro, aprendi na auto – escola, diferente de alguns que pegavam carro do pai e saíam por aí, ou de outros que dirigiam desde a adolescência. Eles dirigiam e eu limpava a casa. Creio que saí ganhando, pois hoje dirijo embora não tenha carro e ainda limpo a casa. Estranho.
Muitos deles zombavam quando meu carro morria. Para eles eu tinha que aprender na hora. Sentou, saiu e foi. Engano desse povo.
Muito me estranha também quando dizem que não cozinham feijão nem temperam carne. Coisa mais fácil. Poderia eu zombar deles agora. Mas não, zombaria é para os tolos. Desculpem o termo, amigos!
Ao cair da noite, no acender das lâmpadas, sinto saudades da minha família. Não sei o que a noite traz, mas ela traz. Porém, não me martirizo com isso. Tempo é tempo, fase é fase. Sinto uma preciosidade grande sendo gerada quando chego cansado e não tem comida porque ‘eu’ não a fiz, ou quando vou tomar café e, não tem café porque ‘eu’ não o preparei. Coisas do cotidiano, que se eu não as fizer ninguém mais faz!
Reflito isso com a vida: se eu não a viver, nenhum outro a viverá. Por isso que a sensação de liberdade se transforma em responsabilidade e também em “carão”. Preciso ser responsável para que minha vida seja produtiva e, também, ter motivos para fazer o que bem entendo. Tem alguém pagando minhas contas? Eu!
Não posso também deixar que essa liberdade seja exacerbada. Cuidado com a libertinagem!
Enfim, estou passando por uma fase difícil. Nem amigos, nem família e nem parentes me completam agora. (Isso que você pensou também não!), porém prazerosa. Descobrindo um alguém que aprendeu a dirigir e ainda consegue limpar a própria bunda, sozinho
segunda-feira, 15 de março de 2010
O que eu quero ser, crescido?
Tudo bem, eu ainda não sou um homem completo. Digo isso pela questão em não me considerar um adulto (ou adúltero, como dizia o "Chaves") mas sim um jovem, embora tenho muitas manias de um velho, não idoso. Idosos deste século levam uma vida menos preocupante se souberem administrar.
Estranho falar para alguém com seus 24 anos que ele já é um homem, ou uma mulher pois hoje as coisas mudaram. Nossos pais casavam-se com dezenove, vinte anos. Com vinte e três já estavam no posto com uma criança febril no colo. Hoje em dia, é mínima a porcentagem de jovens que se casam nessa época, nessa faixa etária. Tem faculdade para atrasar, trabalho duplo, horóscopo, datas e falta de carro. Jovens, alguns mesmo casados, dependem muito mais dos pais mesmo ganhando o mesmo salário deles. Sou um exemplo disso. Assim como dependo de mamãe, ela também depende de mim, isso em diversos fatores, não somente financeiro.
Mas a questão não é só o casamento, ou a saída de casa, mas a profissão, a estadia e as roupas. Tem filho que sai de casa mas toda semana pede dinheiro aos pais. Háaa!!! isso não é morar sozinho, só desvinculou as fraldas, mas quem troca ainda é o papai.
E digo mais: tem aqueles que morando com os pais, trabalham e tem o dinheiro que ganham com seus empregos todo para si: isso é luxo! Sempre meu salário foi para ajudar em casa, sempre até hoje. Não sinto vergonha disso, mas reclamo.
Tem profissão que também é luxo: designer, estilista, decorador (principalmente de interiores), chef de cozinha, cineasta e aí vai... Os cursos são caros, as possibilidades mínimas e além do mais, muito se tira do próprio bolso para embarcar num 'freela' qualquer e nem se ganha o que se gasta.
Não posso falar muito pois embarquei num curso que também não é lá um chão de fábrica mas que graças às bolsas do meu trabalho consegui terminar a faculdade e trabalhar nela, embora não ganhe rios de dinheiro.
Ainda não me sinto seguro para morar sozinho, não sei se ganho o suficiente para isso mas conheço gente que tem condiçõe$ mas nenhuma experiência. Embora já tenha morado só.
Prezo muito os batalhadores. Pensava nisso hoje enquanto estava dentro do ônibus indo para meu segundo emprego do dia, lotado de jovens amarrotados seguindo para a faculdade. Claro que muitos podem ter carro e preferir o ônibus (duvido!) mas todas as minhas melhores amizades são de pessoas que batalham meeeesmo! Todo dia, acordam cedo, sofrem injúrias, ganham pouco mas ainda tem esperança de trabalhar na área que estudaram e ainda conquistar grana. A projeção é alheia, mas a vida é nossa. Na verdade se parar para analisar, já sou o que quero ser mas agora falta subir mais, no mesmo caminho que levo. Ando bem crescidinho para isso.
Duas portas se abrem, quando se projeta um futuro: trabalhar naquilo que se quer e, se conseguir, subir no que se é. Me lembro quando queria, porque queria, trabalhar ou em rádio ou em televisão. Trabalho com os dois, hoje, mas ainda falta muito para chegar onde quero chegar e isso acontece com mecânicos, engenheiros, designers, atores e analistas de sistema também. A pergunta deveria ser transformada: O que eu quero ser, crescido? Pois essa história de ser quando crescer ficou para trás pois tem muita gente bem crescidinha que é tanta coisa e acaba não sendo nada. Talvez quando encontrar uma resposta para isso, eu possa dizer que sou um homem completo. Enquanto isso... relaxa.
Estranho falar para alguém com seus 24 anos que ele já é um homem, ou uma mulher pois hoje as coisas mudaram. Nossos pais casavam-se com dezenove, vinte anos. Com vinte e três já estavam no posto com uma criança febril no colo. Hoje em dia, é mínima a porcentagem de jovens que se casam nessa época, nessa faixa etária. Tem faculdade para atrasar, trabalho duplo, horóscopo, datas e falta de carro. Jovens, alguns mesmo casados, dependem muito mais dos pais mesmo ganhando o mesmo salário deles. Sou um exemplo disso. Assim como dependo de mamãe, ela também depende de mim, isso em diversos fatores, não somente financeiro.
Mas a questão não é só o casamento, ou a saída de casa, mas a profissão, a estadia e as roupas. Tem filho que sai de casa mas toda semana pede dinheiro aos pais. Háaa!!! isso não é morar sozinho, só desvinculou as fraldas, mas quem troca ainda é o papai.
E digo mais: tem aqueles que morando com os pais, trabalham e tem o dinheiro que ganham com seus empregos todo para si: isso é luxo! Sempre meu salário foi para ajudar em casa, sempre até hoje. Não sinto vergonha disso, mas reclamo.
Tem profissão que também é luxo: designer, estilista, decorador (principalmente de interiores), chef de cozinha, cineasta e aí vai... Os cursos são caros, as possibilidades mínimas e além do mais, muito se tira do próprio bolso para embarcar num 'freela' qualquer e nem se ganha o que se gasta.
Não posso falar muito pois embarquei num curso que também não é lá um chão de fábrica mas que graças às bolsas do meu trabalho consegui terminar a faculdade e trabalhar nela, embora não ganhe rios de dinheiro.
Ainda não me sinto seguro para morar sozinho, não sei se ganho o suficiente para isso mas conheço gente que tem condiçõe$ mas nenhuma experiência. Embora já tenha morado só.
Prezo muito os batalhadores. Pensava nisso hoje enquanto estava dentro do ônibus indo para meu segundo emprego do dia, lotado de jovens amarrotados seguindo para a faculdade. Claro que muitos podem ter carro e preferir o ônibus (duvido!) mas todas as minhas melhores amizades são de pessoas que batalham meeeesmo! Todo dia, acordam cedo, sofrem injúrias, ganham pouco mas ainda tem esperança de trabalhar na área que estudaram e ainda conquistar grana. A projeção é alheia, mas a vida é nossa. Na verdade se parar para analisar, já sou o que quero ser mas agora falta subir mais, no mesmo caminho que levo. Ando bem crescidinho para isso.
Duas portas se abrem, quando se projeta um futuro: trabalhar naquilo que se quer e, se conseguir, subir no que se é. Me lembro quando queria, porque queria, trabalhar ou em rádio ou em televisão. Trabalho com os dois, hoje, mas ainda falta muito para chegar onde quero chegar e isso acontece com mecânicos, engenheiros, designers, atores e analistas de sistema também. A pergunta deveria ser transformada: O que eu quero ser, crescido? Pois essa história de ser quando crescer ficou para trás pois tem muita gente bem crescidinha que é tanta coisa e acaba não sendo nada. Talvez quando encontrar uma resposta para isso, eu possa dizer que sou um homem completo. Enquanto isso... relaxa.
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