Tudo bem, eu ainda não sou um homem completo. Digo isso pela questão em não me considerar um adulto (ou adúltero, como dizia o "Chaves") mas sim um jovem, embora tenho muitas manias de um velho, não idoso. Idosos deste século levam uma vida menos preocupante se souberem administrar.
Estranho falar para alguém com seus 24 anos que ele já é um homem, ou uma mulher pois hoje as coisas mudaram. Nossos pais casavam-se com dezenove, vinte anos. Com vinte e três já estavam no posto com uma criança febril no colo. Hoje em dia, é mínima a porcentagem de jovens que se casam nessa época, nessa faixa etária. Tem faculdade para atrasar, trabalho duplo, horóscopo, datas e falta de carro. Jovens, alguns mesmo casados, dependem muito mais dos pais mesmo ganhando o mesmo salário deles. Sou um exemplo disso. Assim como dependo de mamãe, ela também depende de mim, isso em diversos fatores, não somente financeiro.
Mas a questão não é só o casamento, ou a saída de casa, mas a profissão, a estadia e as roupas. Tem filho que sai de casa mas toda semana pede dinheiro aos pais. Háaa!!! isso não é morar sozinho, só desvinculou as fraldas, mas quem troca ainda é o papai.
E digo mais: tem aqueles que morando com os pais, trabalham e tem o dinheiro que ganham com seus empregos todo para si: isso é luxo! Sempre meu salário foi para ajudar em casa, sempre até hoje. Não sinto vergonha disso, mas reclamo.
Tem profissão que também é luxo: designer, estilista, decorador (principalmente de interiores), chef de cozinha, cineasta e aí vai... Os cursos são caros, as possibilidades mínimas e além do mais, muito se tira do próprio bolso para embarcar num 'freela' qualquer e nem se ganha o que se gasta.
Não posso falar muito pois embarquei num curso que também não é lá um chão de fábrica mas que graças às bolsas do meu trabalho consegui terminar a faculdade e trabalhar nela, embora não ganhe rios de dinheiro.
Ainda não me sinto seguro para morar sozinho, não sei se ganho o suficiente para isso mas conheço gente que tem condiçõe$ mas nenhuma experiência. Embora já tenha morado só.
Prezo muito os batalhadores. Pensava nisso hoje enquanto estava dentro do ônibus indo para meu segundo emprego do dia, lotado de jovens amarrotados seguindo para a faculdade. Claro que muitos podem ter carro e preferir o ônibus (duvido!) mas todas as minhas melhores amizades são de pessoas que batalham meeeesmo! Todo dia, acordam cedo, sofrem injúrias, ganham pouco mas ainda tem esperança de trabalhar na área que estudaram e ainda conquistar grana. A projeção é alheia, mas a vida é nossa. Na verdade se parar para analisar, já sou o que quero ser mas agora falta subir mais, no mesmo caminho que levo. Ando bem crescidinho para isso.
Duas portas se abrem, quando se projeta um futuro: trabalhar naquilo que se quer e, se conseguir, subir no que se é. Me lembro quando queria, porque queria, trabalhar ou em rádio ou em televisão. Trabalho com os dois, hoje, mas ainda falta muito para chegar onde quero chegar e isso acontece com mecânicos, engenheiros, designers, atores e analistas de sistema também. A pergunta deveria ser transformada: O que eu quero ser, crescido? Pois essa história de ser quando crescer ficou para trás pois tem muita gente bem crescidinha que é tanta coisa e acaba não sendo nada. Talvez quando encontrar uma resposta para isso, eu possa dizer que sou um homem completo. Enquanto isso... relaxa.
Neste blog, pequenos textos do muito que se vê, se fala e se vive na poesia calcada de suor no cotidiano. Assim como o feminino de 'leão' é 'leã', de 'cão' é 'cã', o diminutivo de texto é "Textículo"
segunda-feira, 15 de março de 2010
quinta-feira, 11 de março de 2010
Ainda tenho medo

Ainda tenho medo da socialização globalizada nos deixar mais frios. É notável a insistência do ser-humano em permanecer solitário durante a pouca vida que lhe resta. Algo como sentar no banco de um ônibus qualquer, sozinho, mais perto da janela mas longe de outras pessoas. Tenho medo de um dia ter um carro e esse veículo me tirar da poesia da vida. Todo dia vejo muita coisa interessante dentro do ônibus, dentro de um carro que passa na rua e daqueles que, desconhecidos, tornam-se por alguns segundos, amigos itinerantes, quando reclamam do governo, puxam assuntos rápidos e dizem que você parece com o neto ou o filho dela. Tudo muito feliz quando você dá abertura para que essas conversas aconteçam, mas não retiro algumas queixas sobre o transporte, mas isso é para o outro post.
Disso me lembro das cartas (tenho uma crônica sobre isso) que antes eu escrevia e tinha todo o trabalho de ir ao correio e mandar à avó que mora no interior, sem contar a escolha do papel, da cor da caneta e outras firulas menores e bem importantes. Uma vez, por um descuido, sujei o papel com chocolate em pó, quando compunha uma carta mais elaborada e aproveitei para deixar o descuido introduzir-se entre as letras. O pó foi junto e lá caiu sobre o colo da tia. Ela riu ao contar e um pouco do meu dia aqui, foi para lá. Hoje, muitos dos meus parentes de lá não tem e-mail, até hoje. Não dá para mandar chocolate em pó pela internet.
O papel passava por várias mãos, chegava até lá. O mesmo papel que eu escrevi e pouco amassei, foi o papel que foi para lá, que também pegaram e amassaram um pouco mais ao ler, rir e guardar novamente no envelope rasgado ao lado.
Dou muito valor, também, às fotos e condeno um pouco a massiva quantidade delas em redes sociais de outrem. Fotos são momentos vivos estáticos. Todo mundo chora, ri e percebe o clima daquele flash e a importância que a imagem tem para si. Escolho bem quem sai comigo nas fotos e espero que me escolham também. A beleza cai bem na foto, mas a verdade também se reflete nela.
Tenho muitas – fotos – mas poucas escolho para o mural, seja ele digital ou aquele azul do meu quarto, mas elas estão guardadas e algumas delas, já estão tortas, velhas no mural, mas não consigo tirá-las de lá.
Ainda tenho mesmo o medo de ser frio com tanto trabalho, tanta rotina e tanta digitalização. Tudo em três, quatro, cinco dimensões mas cada vez mais frio, mais longe e as pessoas rodam como em uma roleta.
Tenho muitos conhecidos e pessoas especiais. Amigos, sinceramente poucos, inclusive minha mãe (a maior delas, beijo mãe!) mas trago fotos e momentos comigo de pessoas que eu verdadeiramente passei momentos bons. Na foto no início do texto, intitulada por mim “O Segredo” ensaiávamos como reagir efusivamente a um segredo e nela, está retratado um pouco do que eram tardes rotineiras de trabalho, porém tardes de risadas. Nada de friacas!
quarta-feira, 10 de março de 2010
O Inferno Necessário
Esse texto foi escrito e já foi publicado no meu finado blog passado. Gosto muito dele! Estive nesse barzinho perto da cidade onde eu moro e de lá nasceu essa crônica. Faz um tempo já, mas todo seu conteúdo ainda é muito verdadeiro e torna-se, aqui, poético. Espero que gostem.
O Inferno Necessário
De Daniel Pires
O Clima era pesado. Quem não era acostumado poderia até estranhar o ambiente e seus pertences. Lugar pequeno, esfumaçado pelos cigarros de maço, prostituta, “viados” e acorrentados, enfurnados em um inferninho agradável, ao som do samba e da cuíca. Bundas, abraços e línguas. Cerveja, brincos e topetes.
Luz verde, apenas duas lâmpadas acesas, meia-luz.
Era domingo. Um dia não tão comum para uma balada de fim de noite. As pessoas dali pareciam não se preocupar com o dia seguinte, com o trabalho, com o stress. Nem sabia se trabalhavam, não as conhecia. A animação era intensa quando lotavam o pequeno espaço situado no centro da grande cidade, que já dormia. De fora não diriam que adentro havia alegria. Havia sacanagem, libertinagem, menos alegria. Engano de quem pensa assim sem entrar e conferir.
O mal está no coração, no ato e no desejo e não na presença. Lembrei-me das noitadas em busca de aventuras, do prazer e do amor. Um engano sórdido pensar encontrar um sentido nas caladas da madrugada.
Quem estava ali queria beijo, palavras de momento e não importavam-se com a cinza segunda. Hoje pareço mais maduro.
Não queria estar, apenas ver. Nem notado queria ser, diferente de antes.
Ao olhar para aquelas vidas, tão vazias de si mesmo refleti sobre a minha. Estudo, trabalho, namoro com cheiro. Ali, dança, noite e coleguismo. Refletindo, me peguei na dúvida. Será que realmente suas vidas que são vazias?
Após duas latas de líquido gelado, meu corpo reclamou.
Passei entre as vidas. Sentia o cheiro de algumas, sentia o corpo de algumas. Não estava totalmente presente, apenas de passagem. No banheiro, o cheiro da urina, o piso sujo e a pia sem torneira.
“Apague a luz quando sair, obrigada” estava escrito com caneta borrão em papel branco com linhas, sobre o interruptor. Minha boba mente universitária corrigiu o lembrete. “Obrigado”.
- Por nada, respondi a mim mesmo.
O samba ficou mais alto, os pés mais rápidos juntos com a cintura. Todos dançavam.
No balcão, meio copo de cerveja esquecida. A negrinha recolhia e cantava o samba. Na porta um homem alto de barba por fazer. Tinha o meu nome, eu ouvi. Ele escreveu.
No outro lado, um homem bebia e trocava beijos com sua morena maquiada e com talco. Não, não era um homem. Era mulher, de bigode, camisa e jeans. Vi os seios, reconheci como mulher. Mesmo assim, continuava revezando entre o copo e a morena.
Ao fundo, de peruca longa, batom e salto nos pés pintados, um homem bebia e tragava. A mão com veias saltadas não negava que era um homem que procurava talvez sexo ou programa, ou dinheiro, ou nada. Não escondia seu sexo no rosto com maquiagem. Era o que era.
Ao lado, um casal de homem e mulher de verdade trocava carícias e cerveja também.
Como a natureza é sábia, pensei. Não dá ao homem o que ele quer e sim o faz buscar.
Uns querendo ser homens, outras querendo ser mulheres. No mesmo espaço, na mesma vida. Tudo poderia ser trocado. O sexo, a vontade e a cerveja. Mas não! Que graça teria se não houvesse a diversidade? Que graça teria se todos fossem o que querem? Eram de verdade sendo o que eram e o que quiserem ser.
A busca completa o homem, mesmo que leve a vida toda ou mesmo que não haja sentido nessa busca. Tem que se buscar.
Precisamos passar pelo inferno e refletir sobre ele. Participar do seu samba e rir sem motivo algum. A segunda é só amanhã, talvez ela nem chegue.
Imaginei comigo se eu estivesse com meu machismo atuante, não estaria ali, pois aquelas pessoas de barba e saia estariam me incomodando. Mas incomodando por quê? Não me fizeram mal algum. Estavam pagando seus consumos e não era em mim que depositavam seus beijos. Quantas pessoas politicamente e religiosamente “corretas” estariam naquele domingo que já dormia, fechadas sobre portas e janelas de aço, chorando pela amargura de uma vida sem graça e totalmente monótona.
Quantas pessoas julgam-se viver nas nuvens quando preparam suas próprias forcas.
E o samba continuava, o cavaco chorava e a alegria dos bigodes enternecia-se. A prostituta não queria sexo hoje, trabalho só amanhã.
O lugar agora tornou-se grande. As vidas interessantes e o inferno necessário.
O Inferno Necessário
De Daniel Pires
O Clima era pesado. Quem não era acostumado poderia até estranhar o ambiente e seus pertences. Lugar pequeno, esfumaçado pelos cigarros de maço, prostituta, “viados” e acorrentados, enfurnados em um inferninho agradável, ao som do samba e da cuíca. Bundas, abraços e línguas. Cerveja, brincos e topetes.
Luz verde, apenas duas lâmpadas acesas, meia-luz.
Era domingo. Um dia não tão comum para uma balada de fim de noite. As pessoas dali pareciam não se preocupar com o dia seguinte, com o trabalho, com o stress. Nem sabia se trabalhavam, não as conhecia. A animação era intensa quando lotavam o pequeno espaço situado no centro da grande cidade, que já dormia. De fora não diriam que adentro havia alegria. Havia sacanagem, libertinagem, menos alegria. Engano de quem pensa assim sem entrar e conferir.
O mal está no coração, no ato e no desejo e não na presença. Lembrei-me das noitadas em busca de aventuras, do prazer e do amor. Um engano sórdido pensar encontrar um sentido nas caladas da madrugada.
Quem estava ali queria beijo, palavras de momento e não importavam-se com a cinza segunda. Hoje pareço mais maduro.
Não queria estar, apenas ver. Nem notado queria ser, diferente de antes.
Ao olhar para aquelas vidas, tão vazias de si mesmo refleti sobre a minha. Estudo, trabalho, namoro com cheiro. Ali, dança, noite e coleguismo. Refletindo, me peguei na dúvida. Será que realmente suas vidas que são vazias?
Após duas latas de líquido gelado, meu corpo reclamou.
Passei entre as vidas. Sentia o cheiro de algumas, sentia o corpo de algumas. Não estava totalmente presente, apenas de passagem. No banheiro, o cheiro da urina, o piso sujo e a pia sem torneira.
“Apague a luz quando sair, obrigada” estava escrito com caneta borrão em papel branco com linhas, sobre o interruptor. Minha boba mente universitária corrigiu o lembrete. “Obrigado”.
- Por nada, respondi a mim mesmo.
O samba ficou mais alto, os pés mais rápidos juntos com a cintura. Todos dançavam.
No balcão, meio copo de cerveja esquecida. A negrinha recolhia e cantava o samba. Na porta um homem alto de barba por fazer. Tinha o meu nome, eu ouvi. Ele escreveu.
No outro lado, um homem bebia e trocava beijos com sua morena maquiada e com talco. Não, não era um homem. Era mulher, de bigode, camisa e jeans. Vi os seios, reconheci como mulher. Mesmo assim, continuava revezando entre o copo e a morena.
Ao fundo, de peruca longa, batom e salto nos pés pintados, um homem bebia e tragava. A mão com veias saltadas não negava que era um homem que procurava talvez sexo ou programa, ou dinheiro, ou nada. Não escondia seu sexo no rosto com maquiagem. Era o que era.
Ao lado, um casal de homem e mulher de verdade trocava carícias e cerveja também.
Como a natureza é sábia, pensei. Não dá ao homem o que ele quer e sim o faz buscar.
Uns querendo ser homens, outras querendo ser mulheres. No mesmo espaço, na mesma vida. Tudo poderia ser trocado. O sexo, a vontade e a cerveja. Mas não! Que graça teria se não houvesse a diversidade? Que graça teria se todos fossem o que querem? Eram de verdade sendo o que eram e o que quiserem ser.
A busca completa o homem, mesmo que leve a vida toda ou mesmo que não haja sentido nessa busca. Tem que se buscar.
Precisamos passar pelo inferno e refletir sobre ele. Participar do seu samba e rir sem motivo algum. A segunda é só amanhã, talvez ela nem chegue.
Imaginei comigo se eu estivesse com meu machismo atuante, não estaria ali, pois aquelas pessoas de barba e saia estariam me incomodando. Mas incomodando por quê? Não me fizeram mal algum. Estavam pagando seus consumos e não era em mim que depositavam seus beijos. Quantas pessoas politicamente e religiosamente “corretas” estariam naquele domingo que já dormia, fechadas sobre portas e janelas de aço, chorando pela amargura de uma vida sem graça e totalmente monótona.
Quantas pessoas julgam-se viver nas nuvens quando preparam suas próprias forcas.
E o samba continuava, o cavaco chorava e a alegria dos bigodes enternecia-se. A prostituta não queria sexo hoje, trabalho só amanhã.
O lugar agora tornou-se grande. As vidas interessantes e o inferno necessário.
Outros
Já fiz dois. Desfiz.
Pensei em fazer parceria, mas quero algo meu.
Ensaio no twitter, mas ainda sou um iniciante nessa coisa de blog.
Do receio de expor-me demais, escrever besteira e não ter tempo, já fiz, desfiz e agora estou refazendo mais um blog.
Fique à vontade para ler o blog O Textículo e vamos ver quanto dura...
Pensei em fazer parceria, mas quero algo meu.
Ensaio no twitter, mas ainda sou um iniciante nessa coisa de blog.
Do receio de expor-me demais, escrever besteira e não ter tempo, já fiz, desfiz e agora estou refazendo mais um blog.
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